um ano
olá,
sejas quem fores,
olá. senta-te, acomoda-te.
tenho espaço para mais um poema, mais uma prosa
e decerto que espaço para que alguém, sejas quem fores
olá.
tenho medo de recomeçar da estaca menos um.
na verdade, tenho ainda mais medo
de ter de voltar a tentar recomeçar.
tenho medo de falhar,
tenho ainda mais medo
de não saber por onde ir.
perdi-me.
olá,
devagar.
não me importo se deres pausa.
vou parar.
corre.
apanha o próximo transporte.
sai, sai,
foge de tudo o que te apoquenta.
melhorou?
estou tão bem.
mas, e?
não importa. consegui fugir.
encontrei-me!
olá?
voltaste? nunca foi embora.
estou aqui tão pertinho,
dás-me espaço?
dá-me abrigo,
cama, comida
dá-me banho, pelo menos duas vezes na semana
mas, não te esqueças de continuar.
não quero ter de te dizer olá de novo,
nem quero ter de te pedir para ires embora,
queria voltar a saber correr
até à estação mais próxima.
olá,
conseguiste recomeçar.
conseguiste desbravar-te,
e já melhorou.
eu sempre odiei despedidas,
e de certo que ficar aqui seria um conforto,
mas, obrigada,
a minha mãe chamou-me para jantar.
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