brisa

com a brisa que áspera e vorazmente
me beija o rosto, chegaste.
mas como a brisa que abraça e não mais volta,
foste e não regressaste

ei-lo, o tempo.
todo o tempo. ó,
quanto desse tempo
não fora ele insuficiente?

todo esse tempo, como a brisa
que áspera e vorazmente grita
permanece, agora, silenciado

e eu que nunca fui
de calar o barulho
permaneço, agora, sossegada

e que este silêncio
e este sossego
assim se espalhem em mim,
que me consumam infimamente

desalento por
tanto do tempo,
que dediquei a aprender
a amar

amargamente
amei brevemente,
o amor voa com a brisa

áspera e vorazmente,
desse amor já nada se manifesta.
e agora nada me resta.

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