Beatitude.

Agarrar a tua mão arrepiava a minha alma, cair nos teus braços suavizava o impacto das quedas impulsionadas pelas circunstâncias de um quotidiano alvoroçado; tão alvoroçado - isto é, sobressaltado - quanto euEnchia-se-me o corpo de entusiasmo pela tua presença; estar contigo permitia-me chegar a um estado nirvânico. Era eu, então, uma euforia incessante, caracterizada por um brilho inabalável no olhar (que se traduzia numa felicidade eterna) e pelo toque caloroso repleto de carinho e afeição.
Portanto, sendo continuamente amparada pela segurança das tuas palavras e pela força dos teus sentimentos, caí, nunca prevenida de que, talvez um dia, fosse colapsar com a realidade de ficar sem a possibilidade de me refugiar em ti.
Todavia, desalmadamente, escorreguei por entre os teus dedos, caí no áspero desfecho de um amor,  consequentemente defrontando a aproximação de um fado inelutável.

Apesar de me ter erguido debilmente, sem auxílio algum, ainda ferida pela impetuosidade da tua decisão, relembro veementemente toda a beatitude que me proporcionaste. Não guardo mágoas, nem rancores, porque a generosidade do meu amor perdoa genuinamente todas as dificuldades com as quais me deparei no processo de cura. Carrego somente as aprendizagens retiradas de tão árdua lição: saber aceitar as situações e conviver com as mesmas; caminho, portanto, em direção à ataraxia.

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